
Na verdade, os pensamentos são meus. Eu acho.
Sabe que um dia desses eu estava voltando da faculdade – do primeiro dia de aula do período, actually. Que foi bastante bom. Tudo bem que eu tive que aturar o Sr. Olhos de Gata no Cio. E ainda terei que aturá-lo pelo resto do período. Provavelmente pelo resto do curso. Mas desde que ele guarde as piadinhas dele para ele mesmo não haverá problemas. Hm, I don’t see it happening. Quero dizer, ele guardar suas piadinhas para si mesmo. Mas, enfim, tinha uma professora que eu não conhecia. Ela geralmente ensina as turmas de Cinema, mas vai dar Técnica de Entrevista e Reportagem para a nossa turma de Jornalismo. Já empolguei de cara com a cadeira, embora eu veja que ela vai ser uma das mais trabalhosas do período. Mas estou divagando. Não era sobre isso que eu queria falar, de modo algum. Queria falar dos meus pensamentos no ônibus. Um em particular. Não sei se acontece com vocês, mas minha mente trabalha loucamente no ônibus. Tenho 387 ideias diferentes – e infelizmente, nem sempre uma caneta fácil para anotá-las. Mas eis que dessa fatídica vez eu tinha uma. Anotei e aqui estou para comentar com vocês.
Eu estava lá, sentada numa cadeira para deficiente. Não me olhem assim. Não tinha nenhum deficiente/velhinho/grávida em pé. De modo que não ia ficar em pé, olhando para a cadeira vazia. Tem nem graça. Mas, enfim, fiquei me perguntando: O que impede alguém de ser mau caráter? É, juro, me perguntei sobre isso. Quero dizer, não um mau cárater cara de pau, que é mau cárater na frente de todo mundo e as suas atitudes não enganam ninguém. Acho que um mau cárater desse deixa até de ser mau caráter, por que QUEM é que vai cair nas armações de alguém que se sabe que não presta? E se a pessoa é alesada, me desculpa a sinceridade, mas merece mesmo uns pedalas da vida de vez em quando. Pra ver se toma jeito de gente e se endireita. Ora. A verdade é que não tem a menor graça (?) ser um mau caráter cara de pau. Por que, e a surpresa né? Mas o outro tipo de mau-caratismo, o verdadeiro. O que nos impede de ser assim? Quer dizer, o que me impede de enrolar uma faixa na minha perna todo dia e ande mancando, só pra conseguir que alguém me ceda o lugar no ônibus? Ou de colocar um travesseiro no meio da barriga e fingir que estou grávida, só pra geral ter peninha de mim e me deixar ir sentada do lado da janela, por que né. EU POSSO ENJOAR, ESSE NEGÓCIO DE GRAVIDEZ E TAL E COISA.
Deve ser aquilo que chamam de bom senso, né? Não sei por que o nome dele é bom, afinal de contas. Pra mim, não me serve de nada. Me impede de viver a vida menos estressantemente – ou vocês acham que é FÁCIL andar no CDU/Várzea lotado, em pé, com estranhos praticando um bullying (no sentido de bolinação, mesmo) em você? Deixar de estar sentado numa cadeira que, ok, não me pertence SÓ POR QUE NÃO É CERTO é algo que eu não consigo entender, embora continue fazendo.
Estou sendo sociopata, né Carolda?
Esse post não é para fazer sentido, gente. Foi só uma ideia que passou pela minha cabeça febril num ônibus lotado.
Esse texto começou a ser escrito dia 11 de agosto de 2010.