04
Nov 11

A era da sociopatia

so.ci.o.pa.ti.a. s. Transtorno de personalidade caracterizado pelo comportamento impulsivo do indivíduo afetado, desprezo por normas sociais e indiferença aos direitos e sentimentos dos outros.

Essa semana um dos meus professores prediletos deu um pití fenomenal em sala de aula. E não foi qualquer pití não. Foi um daqueles pitís que traumatizam uma classe por um bom tempo e fazem com que uma reputação fique manchada por um bom tempo. Resumidamente, fazem com que o professor fique conhecido como o porre por, praticamente, o resto de sua vida. Eu já conhecia o professor em questão e já sabia que ele era grosso, mas dava um desconto porque ele é extremamente inteligente. E esse ataque de loucura da parte dele me fez repensar algumas coisas. Perguntei-me o porquê de fazer isso. De dar tanta importância à inteligência dele e tão pouca à gentileza e à sua forma de tratar as pessoas. O que faz com que ser inteligente te dê, de-repente-não-mais-que-de-repente, permissão para tratar pessoas como se fossem lixo?

Com um pouco de observação a gente nota que esse é um comportamento relativamente comum, nos dias atuais. Ao que parece, qualidades como agudeza de pensamento, competência e capacidade de dizer a coisa certa na hora certa estão em um patamar acima de coisas como gentileza, sensibilidade ou bom humor. Sempre se fala bem de quem é inteligente, enquanto quem é gentil fica com um mero comentário do gênero “ah, ele/a é amor”. E morreu.

Não estou aqui tentando aclamar aquelas pessoas que são felizes 24h por dia e 7 dias por semana. Não, realmente irrita ter uma pessoa mostrando os dentes o tempo todo para você – principalmente se você não é dentista ou coisa que o valha. Ninguém é feliz o tempo todo. É fato. Temos nossos maus momentos. Mas é importante observar que os maus momentos são exatamente isso. MAUS. Não é nenhum motivo de felicitação ou orgulho tratar mal alguém de graça. Isso é, isso sim, coisa de quem ainda não evoluiu o suficiente.

Aponto, nesse momento, o dedo na minha própria cara também. É fato que vemos os nossos erros muito melhor nos outros do que em nós mesmos. Eu mesma sou altamente sem paciência e costumo lançar um judgemental look de vez em quando na direção de pessoas especialmente educadas e bem-humoradas. Mas isso não quer dizer que eu ache isso certo. E isso não quer dizer que eu não vá, hipocritamente, reclamar disso e esfregar na cara de vocês que sim, o que vocês fazem, meus amigos cerebralmente bem desenvolvidos, é feio. É errado. E é pura preguiça.

Sim. Preguiça mesmo. Porque ser simpático dá MUITO MAIS trabalho do que ser chato. É fato. Engolir aquela piada sem graça ou filtrar aquela grosseria que está na ponta da língua é, definitivamente, muito mais dolorido do que simplesmente mandar alguém à merda. O mundo caminha num ritmo tão acelerado e as pessoas estão querendo simplificar tudo, inclusive a forma de lidar com outros seres humanos.

Mas deixa eu dar uma dica pra vocês: NÃO TEM JEITO FÁCIL.

Não tem caminho curto. A porta é estreita e talvez você tenha que passar de lado, se estiver gordinha que nem eu. Seres humanos são, por si sós, complicados. E você deveria saber disso, já que é um ser humano – ao que tudo indica. E faz parte da sua vida viver em sociedade. E já que é pra viver em sociedade, que tal ser um pouco mais decente e tratar as pessoas de forma aceitável? Ser um pouco menos sociopata? Inteligência é, obviamente, uma coisa importante. Mas pensem comigo: se ser inteligente fosse tão difícil, não haveria tantos escritores maravilhosos e inventores brilhantes, correto? Esse é apenas um dom com o qual nascemos. Faz parte de nós. Já a gentileza é uma qualidade adquirida e, por assim ser, deveria ser, no mínimo, tão bem vista quanto a capacidade de resolver bem as palavras cruzadas ou apontar os sete erros de um desenho qualquer. Afinal, quantos Dalai Lamas você conhece?

Related Posts

15
14
Oct 11

Sobre essa vida loca

Já aviso que o post não faz muito sentido e foi escrito de uma vez só e postado sem edição. Por que eu tava afim ~ e não tava afim de reler ou editar. É isso mesmo.

Daí que ontem passei horas lendo esse blog e comecei a pensar que, bem, tá tudo errado no jeito que eu vivo a vida. Ok,  não tudo. Algumas coisas, de fato. Mas ainda assim são algumas coisas que fazem toda a diferença entre viver puxando os cabelos ou viver feliz como uma bolinha saltitante, seja lá o que isso possa significar.

Eu sou uma pessoa extremamente ansiosa. Sempre fui. Desde que me entendo por gente. Eu mal dormia na véspera do meu aniversário, ansiosa pelos presentes que eu ia ganhar, pela festa, pelo o que estava por vir. Também ficava dias e horas ensaiando para uma entrevista de emprego, não conseguia dormir direito no dia que precedia a bendita e, depois dela, ficava enlouquecida esperando uma ligação que, na maior parte das vezes, não vinha. É, essa sou eu. Chega a ser ridículo, mas eu sempre sou a que corre atrás de alguma coisa. Vocês podem pensar “Ora, mas é legal correr atrás do que você acredita, do que você quer e blá-blá-blá”. E é nessa hora que eu digo: “SÉRIO?”. I mean, É POR QUE NÃO É VOCÊS QUE ESTÃO CORRENDO NÉ? Minha gente, isso não é de Deus. É cansativo. É boring. É irritante, estressante e tantos outros adjetivos negativos que se possa adicionar.

Sempre pensei da seguinte forma: “Nada pra mim vem fácil. Se eu não correr atrás, nada acontece”. E, na maior parte das vezes, isso se mostrou verdadeiro. Mas, olha. Vejam mesmo o meu namoro. A gente vai fazer cinco anos, em dezembro. E, assim, eu não me esforcei para conquistar meu Weslley. Sério. Eu não fiz grandes coisas além de ser eu mesma. Eu também não acredito que ele tenha sido mais do que ele realmente é – até por que ele sendo ele já é mais do que suficiente. E mesmo assim nos apaixonamos e estamos juntos. No sacrifices required. Nenhum choro, nenhum ranger de dentes, nenhum correr atrás desabalada. Foi fácil – embora, CLARO, a minha ansiedade atacasse toda vez que eu sabia que ia vê-lo, mas né? Não dá pra pedir tanto. De qualquer forma, a forma como tudo se encaixou lindamente na minha vida amorosa sem que eu fizesse nada de esquizofrênico para que acontecesse totalmente desmente a minha teoria de que eu tinha que suar e feder a camisa para conseguir algo.

E daí meu mundo cai, que nem o da Maysa.

Por que, gente, eu passo minha fucking vida inteira pensando que, é, é isso mesmo, a gente tem que batalhar até morrer pra conseguir alguma coisa e daí vem esse cara e diz “pare de pensar no futuro e viva o presente, MEFELHE!”. Não que ninguém nunca me tenha dito isso antes mas de repente, no meio dessa loucura de meio/fim de período e inglês e vida social, isso fez mais sentido do que nunca. I mean, POR QUE TEM QUE SER EU? Na verdade, por que tem que ser alguém? Why somebody has to get crazy about the huge number of things to do? Always? Por que precisamos nos sentir mal por não querermos fazer alguma coisa? Por que precisamos ter esse número ilógico e mortal de atividades extras que nos tiram o tempo de fazer o que queremos ou de não fazer nada? Por que precisamos correr enlouquecidos de um local pra outro? Por que temos que perder o tempo que gastaríamos com quem amamos respondendo e-mails e telefonemas aleatórios?

Sim, gente. Suddenly I see que a minha vida é curta demais para espinhas pipocando na minha cara e raiva irracional de pessoas que, simplesmente, não querem se estressar tanto quanto eu. E é por causa disso que vou, aos poucos, cortar coisas as quais estão tomando muito tempo da minha vida e que não me trazem lá muito prazer. Eu quero, agora, me dedicar a ser. Ser mais, fazer/ter/estressar/xingar/reclamar menos.

Não sei ainda como isso vai ser. Certamente é um processo que requer algum tempo. Mas quem está com pressa?

Related Posts

25
03
Oct 11

A mania de querer as coisas difíceis

Crônica que escrevi na aula de redação jornalística III – e que a professora elogiou, viva! /aquelasqueseamostra

Tá. Então faz, basicamente, uns cinco anos que tento voltar, sem muita sorte, aos meus amados 58 kg. Acho que desde que eu notei que não pesava mais isso. Se bem que, apesar da minha memória me lembrar de que eu era uma diliça naquela época, eu não me recordo de ser particularmente feliz no tempo em que eu pesava o já mencionado peso. Na verdade, lembro até de achar aquela minha barriguinha (QUE BARRIGA, MEU DEUS?!) um tanto quanto ridícula e também de pensar que se eu emagrecesse uns dois quilinhos eu ficaria muito mais bonita.

E eu me pergunto por que nunca consegui perder aqueles dois quilinhos. E por que eu nunca consegui levar as dietas a sério, apesar de gastar um bom dinheiro em comidas caras e cenourinhas anãs.

Creio que pela mesma razão de que nunca deixei de roer as unhas, ou de cutucar as espinhas ou mesmo de pedir R$20 de comida chinesa para ganhar o bendito do SUPER CALÓRICO rolinho Romeu e Julieta:  auto-sabotagem. E não digo que seja uma auto-sabotagem burra, daquelas “quero-sofrer-para-sempre-me-deixe-em-paz”. Essa leseira específica tem uma intenção definida: a de deixar algo por fazer. A de manter algum objetivo à vista, para quando você estiver precisando de um.

Viajado isso, né? Acontece que eu acabei de comer o meu chocolate pós-almoço devidamente acompanhado do punhado de culpa que me cabe no latifúndio e não estou raciocinando muito bem. Mas eu vou tentar explicar.

Sabe aqueles momentos horríveis em que seu namoro acabou e você tá na merda, sem nada pra fazer? Daí, o que você pensa, depois de charfundar na lama da autocomiseração? Ao som de “Novo Namorado” (aquela música que tem a sacada GENIAL de que “o mundo gira, o mundo é uma bola”), você promete a si mesma/o fazer todas as coisas que sempre quis fazer e que nunca fez, tais como: Entrar na academia e MALHAR (não apenas passear); Parar de roer as unhas até o toco; Conseguir fazer uma dieta passar da segunda-feira etc.

Agora me digam o que é que a gente ia fazer se o namoro acabasse, você levasse bomba no vestibular ou qualquer dessas porcarias que acontecem o tempo todo nas nossas vidas e não tivesse NADA PARA FAZER? Nenhum projeto, por minúsculo que fosse, que ocupasse seu tempo e tirasse sua cabeça do que quer que fosse que você quisesse esquecer?

Acredite em mim, haveria muito mais suicídios. I’m not kidding.

Então, ao invés de nos tornarmos amargos conosco mesmos por razões tão aleatórias como ser incapaz de comer as cenourinhas que compramos no Bompreço – e que custaram uma pequena fortuna – demos graças a Deus pelo nosso senso de auto-preservação, que nos mantém sempre perto das batatas noisettes e longe das alfaces crespas. Essa mania de querer as coisas mais difíceis – desde o benquerer por aquele carinha gatinho do colegial que NUNCA NA VIDA notou nada além dos óculos gigantes e as espinhas inflamadas em você, à encasquetar de prestar medicina no vestibular (graças a Deus nunca tive esse tipo de ideia, mas enfim né), NOS MANTEM VIVOS.  Eu diria que é até instinto de sobrevivência, mesmo.

Se não quiserem agradecer a Deus, agradeçam a mim por ter disponibilizado, para vocês, uma desculpa tão legal para continuarem sendo qualquer coisa que vocês quiserem ser, de gordinhos a desordeiros.

Aceito o pagamento dos meus serviços em sundaes sabor napolitano e bolinhos de queijo frito.

Related Posts

17